Lançado em agosto do ano passado, o AppJusto é um aplicativo de delivery com a pegada de dar autonomia quase total ao entregador, capaz até de definir o valor da corrida e os horários em que estará disponível para aceitar corridas.

O modelo de negócio partiu de uma inquietação do cientista da computação Pedro Saulo Andrade Brito, um dos cofundadores do aplicativo, com os efeitos colaterais da chamada gig economy, nome elegante para o serviço feito de maneira autônoma por profissionais sem vínculo fixo com algum empregador — e capacidade baixíssima de reivindicar melhores condições de trabalho.

A ideia de negócio do AppJusto
A bronca dele é sobretudo com as plataformas de delivery de comida ou de entregas rápidas. “De maneira geral os entregadores se arriscam demais no trânsito em ganham pouco”, diz ele. “Embora sejam chamados de trabalhadores autônomos, de autonomia o trabalho deles têm quase nada. Se recusarem trabalho, acabam penalisados pelas plataformas.”

A ideia de um negócio digital para colocar o entregador no centro da tomada de decisão ganhou um empurrão com um comentário do humorista e apresentador Gregório Duvivier.

Num episódio do talk show Greg News (HBO), no início da pandemia, Duvivier disse torcer pela organização dos trabalhadores de delivery em torno de um app com condições justas de trabalho.

“Aquilo me deu um clique para a oportunidade de negócio capaz de aliar também a ideia de justiça social”, diz Andrade Brito, um empreendedor serial em tecnologia.

Antes do AppJusto, ele esteve por trás do Musea, um aplicativo para visualização de obras de arte, e do Allya, um marketplace de benefícios corporativos. No AppJusto, Andrade Brito tem com junto com ele um time de cofundadores.

Como o app ganha dinheiro
A remuneração do AppJusto é semelhante a das demais plataformas de delivery: a cada entrega intermediada, o app fica com uma comissão.

A diferença está no tamanho da fatia. Por ali, é de 5% do preço final da entrega. “É muito menos do que o padrão do mercado, em que as grandes plataformas chegam a ficar com 30% do valor final”, diz Andrade Brito.

Em dez meses, o AppJusto tem uma base de 2.700 entregadores ativos e de 350 restaurantes com cardápios à disposição na plataforma.

Por mês, são em média 940 pedidos, a maioria na Grande São Paulo. A receita do app em nove meses de operação está na faixa dos 30.000 reais.

Até agora, a divulgação do AppJusto tem sido feita na base do boca a boca por voluntários e apoiadores da ideia — alguns deles famosos, como o chef de cozinha e apresentador Carlos Bertolazzi, do programa Fábrica de Casamentos (SBT).

O próprio Duvivier virou influenciador voluntário da ideia. Em maio, o humorista publicou no Twitter um elogio ao serviço do AppJusto, num tuíte curtido 7.459 vezes e retuitado outras 2.400 vezes.

Aporte de 939 investidores
Para além do buzz, o AppJusto agora tem capital para escalar a ideia de impacto social na gig economy.

O aplicativo acaba de receber 1,8 milhão de reais numa rodada de investimento por equity crowdfunding, uma espécie de vaquinha virtual com um grupo diverso de investidores.

A captação foi coordenada pela Kria, uma plataforma pioneira no equity crowdfunding no Brasil, com mais de 70 operações desse tipo. Na lista estão startups badaladas como Dr. Jones, de artigos para higiene pessoal masculina, e a CBCA, cervejaria artesanal de Piracicaba, no interior paulista, que anunciou fusão com a Startup Brewing na semana passada.

A captação de recursos do AppJusto atraiu 939 participantes. “Foi o processo com maior número de investidores nesse tipo de modalidade no Brasil”, diz Camila Nasser, CEO da Kria.

Entre os quase mil investidores da rodada há uma série de stakeholders relevantes para a operação do aplicativo, bem como outros essenciais, como donos de restaurantes e entregadores.

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