O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou nesta quarta-feira (25) a compra de lojas do Grupo Big pelo maior varejista do país, Carrefour Brasil, com restrições que já tinham sido acordadas pelas empresas junto ao órgão de defesa da concorrência.

A decisão foi unânime, com os conselheiros Lenisa Rodrigues Prado, Luis Henrique Bertolino Braido, Gustavo Augusto Freitas de Lima e Sérgio Costa Ravagnani, acompanhando o voto do relator Luiz Augusto Hoffmann.

O relator afirmou que não foram identificadas preocupações concorrenciais nos mercados de atacado de distribuição e postos de revenda de combustíveis.

Mas no segmento de atacarejo, que tem o Assaí como principal rival do Carrefour Brasil, o negócio “tem potencial de gerar exercício de poder de mercado em nove localidades diferentes”.

Por meio da bandeira Atacadão, o Carrefour Brasil é a maior rede de atacarejo do país enquanto o Big é a terceira maior, segundo o Cade.

Os remédios aprovados nesta quarta-feira incluem a venda de lojas de atacarejo em nove cidades do Sul e Nordeste do país, incluindo Gravataí (RS), Maceió, Olinda e Recife.

Além disso, Carrefour Brasil e Big terão que “preservar a viabilidade, atratividade e competitividade das lojas objeto do remédio estrutural até que o desinvestimento seja concluído”. As empresas também não poderão recomprar as lojas vendidas por um prazo que não foi informado.tk

O Cade também determinou que as companhias terão que notificar a autarquia sobre qualquer operação envolvendo supermercados, hipermercados, atacarejos e clubes de compras, “ainda que elas não atinjam os parâmetros de notificação obrigatória”.

Em janeiro, a superintendência-geral do Cade já tinha recomendado a aprovação da transação, condicionando o negócio à venda de parte das lojas de atacarejo.

O Carrefour Brasil, unidade local da gigante francesa de varejo Carrefour, anunciou em março passado a aquisição do Grupo Big por cerca de R$ 7,5 bilhões.

A transação envolveu 387 lojas detidas ou operadas pelo Big. O Carrefour Brasil terminou o primeiro trimestre com um parque de 779 pontos de venda, dos quais 252 do Atacadão.

No início do mês, o presidente-executivo do Carrefour Brasil, Stéphane Maquaire, afirmou a analistas que espera um efeito positivo “muito forte” nas margens de lucro das lojas do Big após a conversão delas para os formatos do grupo e que as sinergias esperadas são maiores que as calculadas inicialmente pela companhia quando do anúncio da operação.

A aprovação do Cade ocorre em um momento de forte expansão do atacarejo no país, em meio à crise econômica persistente que tem corroído o poder de compra da população. Esse crescimento motivou o Assaí a comprar 71 hipermercados Extra do GPA para convertê-los para o formato de atacarejo, em um negócio de R$ 5,2 bilhões anunciado em outubro passado.

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