Ninguém parecia tão confiante com o desenvolvimento do metaverso e o sucesso das criptomoedas do que Mark Zuckerberg no ano passado. Tão impressionado com a empreitada, o bilionário até mesmo rebatizou sua companhia, o Facebook, como Meta. Mas, em pouco tempo, o sonho do executivo se tornou um pesadelo.

Agora, a Meta decidiu encerrar o piloto da carteira digital (wallet) da companhia, a Novi, em 1º de setembro deste ano, de acordo com a reportagem da Bloomberg.

“Quando o projeto for encerrado, você não poderá fazer login e acessar sua conta Novi”, disse a empresa em nota.

Wallet da Meta

A ideia inicial surgiu em meados de 2019, os executivos da companhia decidiram montar uma carteira digital (wallet), batizada de Libra, para operar a Diem, a moeda digital global que seria lançada pela Meta futuramente.

A wallet ofereceria suporte a transações rápidas e gratuitas com a criptomoeda da empresa de Mark Zuckerberg.

Porém, diversas questões regulatórias atrasaram o desenvolvimento do projeto e forçaram a companhia a fazer um “rebranding” da carteira para seguir existindo. No ano seguinte, com o apoio da Coinbase, a wallet passou a ser chamada de Novi e começou a usar a stablecoin Paxos (USDP).

Apesar de ver seus planos de lançar a Diem irem por água abaixo devido a pressões regulatórias, o CEO da Meta decidiu manter o projeto da Novi. O piloto da carteira digital foi lançado em outubro do ano passado nos Estados Unidos e na Guatemala.

Diem, o plano fracassado de Zuckerberg

Desde o começo dos planos de Mark Zuckerberg de criar a própria criptomoeda, em junho de 2019, o projeto passou por uma forte oposição de formuladores de políticas, como banqueiros centrais e políticos.

No começo, a moeda global, antes chamada de Libra, seria composta por uma cesta de ativos, como dólar e títulos da dívida dos Estados Unidos.

Porém, os gestores tinham medo de que a nova moeda global pudesse desfazer seu controle sobre o sistema monetário, além de facilitar os crimes de lavagem de dinheiro e prejudicar a privacidade dos usuários.

A empresa teve que mudar o nome da criptomoeda para Diem, em busca por aprovações regulatórias, e se concentrar nos Estados Unidos, com o lançamento de uma stablecoin em dólar.

O último golpe nos planos de Zuckerberg foi a saída de um de seus executivos de tecnologia financeira, responsável por supervisionar o desenvolvimento da Diem.

Com a saída do desenvolvedor, a Meta não teve alternativa a não ser vender seus ativos e sua tecnologia, em um último esforço para capturar qualquer valor que tenha restado.

A venda foi fechada com a Silvergate Capital, empresa que já tinha negócios com Zuckerberg relacionados à Diem, por US$ 182 milhões.

O que aconteceu com a carteira digital da Meta?

Nos últimos tempos, o mercado cripto vem enfrentando uma gigantesca série de desafios para se manter de pé — e já cambaleou bastante na corda bamba.
O bitcoin (BTC), a maior criptomoeda do mundo, já recuou 57,5% em 2022 — sendo que, só no mês passado, acumulou queda de quase 38%.

Isso tudo fez o projeto de Zuckerberg de ativos digitais, que já com problemas desde a falha da Diem, ir pelo ralo após quase um ano desde o lançamento — e a Meta encerrará o piloto da Novi em menos de dois meses.

Com o fim da carteira já marcado para acontecer em setembro, os usuários devem se apressar para retirar seus fundos “o mais rápido possível”, segundo a Meta.
Caso alguém esqueça de sacar os valores antes do encerramento da Novi, a empresa afirmou que “tentará transferir” o montante para a conta bancária ou cartão de débito do cliente adicionado à plataforma.
A partir de 21 de julho, os clientes inclusive estarão proibidos de adicionar mais dinheiro à wallet.

É o fim de Zuckerberg no metaverso?
Apesar de mais um desmoronamento nos planos de Mark Zuckerberg, a Meta afirmou que a decisão de encerrar a Novi não significa que abrirá mão da empreitada no novo universo alternativo.

De acordo com o porta-voz da dona do Facebook, a empresa planeja usar a tecnologia da Novi em produtos futuros, inclusive no projeto do metaverso.

“Estamos aproveitando os anos gastos na construção de recursos para o blockchain e introduzindo novos produtos, como NFTs [tokens não fungíveis, em português]. Você pode esperar ver mais de nós no espaço Web3, porque estamos muito otimistas sobre o valor que essas tecnologias podem trazer para pessoas e empresas no metaverso.”

A Meta destacou que está explorando os testes para incorporar NFTs em suas redes sociais. Em maio, o CEO da companhia anunciou planos para iniciar testes de tokens não fungíveis no Instagram.
O bilionário ainda quer permitir a venda de itens e experiências na plataforma de realidade virtual Horizon Worlds, a rede da Meta para o metaverso.

Caos no mundo de criptomoedas
É importante destacar que não é só a Meta que está sendo prejudicada pela degradação do mercado de criptomoedas. A situação caótica do universo de ativos digitais também está afetando outras plataformas, como a exchange Voyager Digital.

A corretora de criptomoedas, que recentemente levou um calote de mais de US$ 670 milhões do fundo de hedge Three Arrows Capital (3AC), paralisou todas as negociações, depósitos, saques e recompensas de seus clientes.

Só nos últimos dias, diversas corretoras decidiram suspender as operações temporariamente.

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