Netflix oficializou seu novo modelo de negócios baseado em anúncios publicitários. Seis meses após ter confirmado que estava trabalhando com esta possibilidade, o serviço de streaming confirmou um plano básico para o Brasil de R$ 18,90 ao mês que contempla todo o conteúdo disponível, porém, com propaganda. De acordo com Greg Peters, Chief Operating Officer da plataforma, esse já é o resultado do projeto que começou a ser desenvolvido com a Microsoft no primeiro semestre. O novo pacote será lançado em 3 de novembro e estará disponível para, além do Brasil, Alemanha, Austrália, Canadá, Coreia, Espanha, Estados Unidos, França, Itália, Japão, México e Reino Unido.

Em abril, Reed Hastings, CEO da Netflix, confirmou que a empresa passaria a ter anúncios como uma nova possibilidade de negócios. Na sequência, em julho, foi anunciada uma parceria icônica com a Microsoft como principal parceira do novo projeto. “O pacote Básico com anúncios será lançado apenas seis meses depois que comunicamos a ideia de oferecer um plano mais econômico, com anúncios. Nada disso seria possível sem a dedicação da nossa equipe e a parceria incrível da Microsoft”, destacou.

O executivo justificou que esse lançamento ocorre baseado em um novo contexto de consumo de conteúdo. “A mudança no consumo de TV está acontecendo a uma velocidade cada vez maior, com o streaming agora superando a TV aberta e a cabo. Estamos confiantes que, com esses preços iniciamos uma nova fase que atende tanto o interesse dos consumidores quanto dos anunciantes, e estamos muito empolgados com o que vem por aí. Conforme nos aprimoramos e aprendemos com essa experiência, nossa ideia é implementá-la em mais países.” A Netflix também anunciou outros parceiros de métricas para seu ecossistema de publicidade: Nielsen, DoubleVerify e Integral Ad Science.

Em coletiva de imprensa, a Netflix garantiu que todos os dados serão utilizados apenas para o uso de experiência interna da plataforma visando melhor experiência. Questionado sobre a possibilidade de a inclusão de anúncios causar uma queda em número de assinantes, Greg destacou que o foco é oferecer a melhor experiência possível baseado naquilo que a Netflix já entrega como valor aos assinantes.

Parceria icônica com a Microsoft

Em julho, a Netflix e a Microsoft anunciaram uma parceria para o projeto de publicidade do serviço de streaming. O objetivo: desenvolver um plano de assinatura baseado em anúncios. 

No comunicado, a empresa explicou que “os consumidores terão mais opções para acessar o conteúdo premiado da Netflix e que os profissionais de marketing que procuram a Microsoft para suas necessidades de publicidade terão acesso ao inventário premium de TV conectada.”

Greg Peters, na ocasião, explicou que desde o anúncio do serviço com publicidade, em abril, a empresa já vinha buscando um parceiro. “Anunciamos que apresentaremos um novo plano de assinatura com suporte de anúncios com preço mais baixo para consumidores, além de nossos planos básicos, padrão e premium sem anúncios existentes. 

Hoje temos o prazer de anunciar que selecionamos a Microsoft como nosso parceiro global de vendas e tecnologia de publicidade.”

Ainda de acordo com Peters, o objetivo de longo prazo é oferecer “mais opções para os consumidores e uma experiência de marca de TV premium e melhor do que linear para os anunciantes. Estamos entusiasmados por trabalhar com a Microsoft enquanto damos vida a este novo serviço.”

Desafios e novos modelos de negócios

O resultado da Netflix, divulgado em abril, marcou uma nova fase não só do serviço, mas de toda a indústria do streaming. Pela primeira vez desde 2011, a plataforma perdeu assinantes. Foi contabilizada uma baixa de 200 mil usuários no primeiro trimestre de 2022. A empresa ainda estimou que o segundo semestre será de ainda mais contração.

São vários os fatores que afetaram no desempenho. Atualmente, a Netflix tem 221,6 milhões de assinantes e espera perder, no acumulado do segundo trimestre, 2 milhões. Mesmo com o início de uma temporada preocupante, a empresa teve crescimento de receita, de 10%, somando US$ 7.8 bilhões, mesmo assim, abaixo da expectativa de US$ 7,93 bilhões.

O que acontece com a Netflix neste momento, e com a indústria do streaming, é o que os especialistas estão chamando de “fadiga do streaming”. Fenômeno que tem criado instabilidade no modelo de negócios e já é comum nos Estados Unidos. 

Pesquisa recente da Deloitte mostrou que, de acordo com as projeções mundiais para 2022, a previsão é de que mais de 150 milhões de pessoas deverão cancelar alguma assinatura. Além disso, a taxa de rotatividade entre plataformas vem aumentando e, atualmente, gira em torno de 30%.

Diante deste contexto, Reed Hastings, CEO da Netflix, admitiu que, nunca gostou da ideia de ter anúncios em sua plataforma, mas agora entende que o usuário pode escolher. “Eu defendo a simplicidade do modelo de assinaturas, mesmo assim, sou ainda mais a favor de que o consumidor escolha e, por isso, permitir que eles tenham acesso a conteúdo de forma mais barata, pode sim ser um caminho.”

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