Netflix ganhou 2,4 milhões de assinantes no terceiro trimestre deste ano, superando as expectativas dos analistas, que projetavam um ganho de 1,09 milhão. A plataforma ganhou clientes em todos os mercados do mundo. O crescimento foi mais forte na Ásia, onde a empresa adicionou 1,43 milhão de novos assinantes no trimestre.

Com isso, o total de assinantes chegou a 223 milhões globalmente e a empresa retomou a liderança que havia sido perdida em agosto, quando o Disney+ divulgou que tinha 221,1 milhões de assinantes, acima dos 220 milhões da Netflix.

O lucro líquido entre julho a setembro foi de US$ 1,4 bilhão, queda de 3,5% menor ante o mesmo período de 2021. Mesmo assim, o lucro por ação de US$ 3,10 superou as expectativas, que eram de US$ 2,13 por ação.

Ao divulgar os números, a Netflix informou que tem vantagens claras frente às suas concorrentes, visto que é a única do setor a ter lucro operacional. Em seu balanço do terceiro trimestre, a companhia apresenta uma estimativa de prejuízo para o setor em 2022.

O déficit do ano será de US$ 10 bilhões, segundo a Netflix, enquanto ela deverá fechar com um lucro entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões.

Fim do compartilhamento de contas

Para isso, ela já montou sua estratégia: inibir o compartilhamento de senhas. Os primeiros passos já foram dados. Agora em outubro foi implantado o recurso Transferência de Perfil para todos os clientes. Com ele, novos usuários manterão suas informações de preferências e histórico de visualizações ao adotar uma conta própria.

Segundo a plataforma, havia demanda para esse recurso. Ao anunciar a implantação, a empresa ofereceu a solução como algo favorável.

“As pessoas se movem. As famílias crescem. Os relacionamentos terminam. Mas ao longo destas mudanças na vida, sua experiência na Netflix deve permanecer a mesma”, informou a Netflix em seu blog.

A próxima mudança chegará em novembro, quando o Brasil e outros 11 países terão à disposição um novo plano de assinatura mais barato, porém com anúncios. A plataforma afirma acreditar que a modalidade será popular frente aos seus outros planos.

Por fim, em 2023 chega o golpe final. Há alguns meses a Netflix estava testando reprimir o compartilhamento de senhas em alguns países da América Latina, como Chile, Peru e Costa Rica e a avaliação foi de que o modelo funcionou. Os testes foram expandidos para Argentina, El Salvador, Guatemala, Honduras e República Dominicana.

A inibição do compartilhamento de senha irá acontecer por meio da localização. Pessoas que vivem em endereços diferentes terão de criar subcontas e pagar para amigos ou familiares usarem o mesmo perfil. Ainda não se sabe os preços dessas subcontas em cada país.

Vantagem competitiva

A Netflix passou a combater o compartilhamento de contas desde que o número de assinantes estagnou e depois caiu, mas ela não é a única com esse problema.

Um levantamento feito pela consultoria Bain & Company em parceria com a Dynata mostrou que emprestar senhas é comum nos serviços de streaming mais populares. A pesquisa mostrou que, em média, um a cada quatro assinantes compartilha sua senha com outra pessoa não pagante.

Nos Estados Unidos, o consumidor médio paga três assinaturas e toma uma emprestada. Disney+ e Netflix são as maiores vítimas de compartilhamento de senhas, com 33% e 30% das assinaturas compartilhadas, respectivamente. Hulu e HBO Max seguem logo atrás, ambas com 28%. Contas mais baratas, como a da Amazon Prime Video, têm a menor porcentagem de compartilhamento, de 19%.

Em um mercado cada vez mais competitivo e com novos lançamentos de conteúdo a todo momento, é preciso ter mais plataformas para acompanhar séries e filmes. Vide recentemente o lançamento de Anéis de Poder na Amazon Prime, A Casa do Dragão na HBO e Stranger Things na Netflix.

Segundo a pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box, que analisou o uso de apps de streaming no Brasil, 66% dos brasileiros assinam um ou mais serviços de streaming de filmes e séries em 2022. O número é 10% maior do que o observado em 2021.

O levantamento mostra que 65% dos brasileiros pagantes assinam entre uma ou duas plataformas de streamings; 17% pagam por três; 6% são clientes de quatro e 12% têm cinco ou mais assinaturas. A Netflix aparece isolada entre os serviços mais assinados: 81% dos respondentes tinham assinatura. Na sequência aparece Amazon com 43% e Disney+ com 21%.

“Contra um campo diverso e formidável de competidores, acreditamos que nosso único foco em streaming é uma vantagem competitva”, escreveu a Netflix em seu balanço. Segundo a plataforma, grandes empresas de entretenimento estão investindo rios de dinheiro em streaming para tentar alcançar o que eles já tem.

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