Na contramão das recentes rodadas de demissão em empresas de tecnologia, o setor continua aquecido e os empregos em tech permanecem em alta demanda. Profissionais de TI são alguns dos mais requisitados pelos mercados brasileiro e mundial, podendo escolher onde e como querem trabalhar. E a maioria (75%) está disposta a abandonar o mercado brasileiro para ganhar em dólar, segundo levantamento feito com os mais de 20 mil candidatos registrados na base de dados da Icon Talent, especializada em recrutamento nessa área.

Christina Curcio, uma das sócias da empresa com mais de 300 clientes, explica que as multinacionais que abrem vagas com a Icon Talent oferecem salários que vão de US$ 3 mil (R$ 15,3 mil) a US$ 8 mil (R$ 40,9 mil) para vagas de desenvolvimento e de US$ 6 mil (R$ 30,7 mil) a US$ 10 mil (R$ 51,2 mil) para gestão e negócio.

Países da Europa, Oceania e os Estados Unidos buscam a Icon Talent de olho nos diferenciais dos profissionais brasileiros. “Muitas empresas nos relatam que preferem contratar brasileiros não só pelo país ser referência na atuação profissional, mas também porque são mais flexíveis com cultura e costumes e de mais fácil relacionamento.”

A análise da empresa de recrutamento mostra quais perfis de profissionais brasileiros esses países estão buscando. EUA e Nova Zelândia, por exemplo, têm contratado desenvolvedores, analistas de testes, profissionais de UX (Experiência do Usuário) e UI (Interface do Usuário) e engenheiro de dados. Países europeus como Suécia e Holanda e a Austrália têm buscado com mais frequência profissionais que atuam na área de infraestrutura e Cloud.

Déficit de profissionais de TI no mercado brasileiro

A pandemia, a digitalização e a institucionalização do trabalho remoto fez com que os brasileiros fossem mais desejados por empresas internacionais. “Hoje, pouquíssimas empresas no Brasil conseguem competir com ofertas de trabalho remoto em outras moedas.”

As companhias no Brasil precisam se atentar a formas de atrair e reter os talentos no país. Até mesmo porque a formação de novos profissionais de tecnologia no Brasil não acompanha a demanda.

Até 2025, serão demandados 797 mil profissionais – e, pelo total de pessoas formadas no país anualmente, haverá um gap de 530 mil vagas não preenchidas nessa área, segundo levantamento da Endeavor com dados da Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação). 

“Cada vez mais vai ser preciso assertividade não só na hora de contratar, mas de criar as vagas, estudar possibilidades e abrir um processo de hunting.”

Oportunidade para ser nômade digital

Requisitados não só dentro, mas fora do país, os brasileiros têm, então, a possibilidade de ser nômades digitais – um tendência que ganhou força com a pandemia e já soma mais de 35 milhões de adeptos pelo mundo.

Segundo o Relatório Global de Tendências Migratórias divulgado pela Fragomen, empresa global especializada em migração, é estimado que até 2035 existam cerca de 1 bilhão de nômades digitais no mundo.

Mas apesar dessa abertura do mercado, o idioma ainda é um entrave para os brasileiros que querem se colocar internacionalmente. “Uma média de metade dos candidatos que colocam no currículo fluência em inglês são reprovados em testes de conversação”, diz Christina, que ressalta que esse ponto é decisivo para quem busca uma vaga fora do país.

Mas além do inglês, empresas internacionais têm dinâmicas diferentes das já conhecidas pelos brasileiros, como o currículo. “Os modelos internacionais exigem um detalhamento que aqui no Brasil não é comum, por isso, é preciso conhecer bem os processos e ter todas as competências necessárias.”

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