Os chatbots estão sendo cada vez mais usados pelas empresas para entrevistar e selecionar candidatos, geralmente para empregos de colarinho azul, ou seja, menos qualificados e geralmente manuais. Mas, como aconteceu com outras ferramentas algorítmicas de contratação, especialistas e candidatos temem que essas ferramentas possam ser tendenciosas.

No início de junho, Amanda Claypool estava procurando emprego em um restaurante fast food e enfrentou um obstáculo irritante: o recrutamento era feito por um chatbot problemático.

A chatbot do McDonald’s, “Olivia”, liberou Claypool para a próxima etapa, a entrevista pessoal, mas não conseguiu agendá-la por conta de problemas técnicos. Um bot da Wendy’s, outra rede de fast food, conseguiu fazer o agendamento para uma entrevista pessoal, mas era para uma vaga que ela não poderia ocupar. Então, um chatbot da Hardees, também desse segmento, enviou-a para uma entrevista com um gerente de loja que estava de licença – dificilmente uma boa estratégia de recrutamento.

“Eu apareci um dia no Hardees [depois de contratada] e eles ficaram meio surpresos. A equipe que operava o restaurante não tinha ideia do que fazer comigo ou como me ajudar”, disse ela, que finalmente conseguiu um emprego em outro lugar. “Virou uma coisa muito mais complicada do que tinha que ser”, disse. (McDonald’s e Hardees não responderam a um pedido de comentário. Um porta-voz da Wendy’s disse à Forbes que o bot cria “eficiências de contratação”, acrescentando que “a inovação está em nosso DNA”.)

Chatbots de RH como os que Claypool encontrou são cada vez mais usados em setores como saúde, varejo e restaurantes para filtrar candidatos não qualificados e agendar entrevistas com aqueles que podem ser adequados para o trabalho. 

McDonalds, Wendy’s, a rede de drogarias CVS Health e a rede de varejo Lowes usam Olivia, um chatbot desenvolvido pela Paradox, startup de IA de US$ 1,5 bilhão, com sede no Arizona, nos EUA. Outras empresas, como a L’Oreal, usam a Mya, um chatbot de IA desenvolvido em São Francisco por uma startup de mesmo nome. 

A maioria dos chatbots de contratação não é tão avançada ou elaborada quanto os de conversação que usamos, como o ChatGPT

Eles são usados principalmente para selecionar empregos com um grande volume de candidatos – caixas, funcionários de depósito e de atendimento ao cliente. Eles são básicos e fazem perguntas bem diretas: “Você sabe usar uma empilhadeira?” ou “Você pode trabalhar nos finais de semana?”. Mas, como Claypool descobriu, esses bots podem apresentar erros – e nem sempre há um humano a quem recorrer quando algo dá errado. E respostas claras que muitos dos bots exigem podem acabar rejeitando candidatos qualificados que não responderem às perguntas como os modelos de linguagem desejam.

Isso pode ser um problema para pessoas com deficiência, que não são proficientes em inglês e candidatos mais velhos. Aaron Konopasky, consultor jurídico sênior da Comissão de Oportunidades Iguais de Emprego dos EUA, teme que chatbots como Olivia e Mya não ofereçam opções ou funções para pessoas com deficiência ou condições médicas. “Se você está falando com um ser humano, há uma oportunidade de naturalmente falar sobre adaptações que você precisa”, disse ele à Forbes. “Se o chatbot for muito rígido e a pessoa precisar solicitar algum tipo de mudança, o chatbot pode não dar a oportunidade de fazer isso.”

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Entrar

Cadastrar

Redefinir senha

Digite o seu nome de usuário ou endereço de e-mail, você receberá um link para criar uma nova senha por e-mail.

Membership

An active membership is required for this action, please click on the button below to view the available plans.

pt_BRPortuguese